sábado, 14 de abril de 2012

Para os amigos com os quais falhei



Na vergonha,
Comum a quem
Falha,
Não se oponha
A tua própria
Natureza.

Olhos
Ainda serão olhos.

Boca
Nada será
Senão pueril boca.

Ouvidos
Jamais sairão
Do mesmo fatídico
Lugar.

Nariz
Respirará,
É certo,
Por um triz.


Pele,
Por mais que revele
Rubor,
Será sempre
Cor do amor
À amizade,
Cor
Que mescla
Olor
E pedido de desculpas...


Obs: Obra de Velásquez.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um beijo logo cedo



Caso seja possível
O nosso encontro domingo,
Será um prazer
Tê-la desde cedo comigo.

Ver, portanto, o fulgurante
Sol
De teus olhos
Amanhecer em mim.

Ou ainda,
Confundir teu riso
Com o chilrear
Dos pássaros.

Assim,
Uma vez mais,
Refeito de amor,
Possuir-te num beijo
Em que te tenho,
Como sempre,
Por inteiro.

Obs: Obra de Klimt.

Dedico à minha doce Jana.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Somente




Noite alguma
Deslumbra sem tua voz.

Luar é apenas detalhe
Sem o entalhe de teu doce perfil.

Vento jamais me reinventou
Algures sem pele a pele contigo.

Paraíso
Sem teu sorriso, não há.
Primavera
Sem tua veracidade, não há também.

Solo onde haja consolo,
Ardor onde haja amor,
Sorte onde haja norte,
Empatia onde haja alegria,
Sementes onde haja mentes,
Somente um amor como o nosso possui.


Obs: Obra de Chagall.

Dedico à minha doce Jana.

Depois de toda chuva



Depois de toda chuva,
A noite refresca-se
De tal modo que me alegra imaginar
Tua beleza ao longo das ruas.

Tua singela delicadeza
De respirar o perfume da dama-da-noite,
Sem falta do bálsamo de tua boca:
Cujo sorriso deliro.

Pleno e sereno
Do que não vi, mas sei:
Luar que as nuvens não escondem
Sem algo revelarem...


Obs: Obra de Goeldi.

Dedico à minha doce Jana.

domingo, 8 de abril de 2012

Almofada que me deste



Não se ama o mar da vida,
Tal como amo,
Sem amar longamente
Teu doce amor.

Assim como,
Jamais durmo em paz
Sem me agarrar
Ao ardor da almofada
Que me deste,
Já que sempre me deixa
Mais perto de ti.

Permaneço assim
Absorto em teu
Maravilhoso perfume
Que ali perdura:

Pleno de lembranças
Eternas,
Porque tudo é eterno
Quando se ama
Do fundo da alma.

Tal é o êxtase
Que tenho contigo
A cada troca de olhares,
De palavras,
De carícias ariscas,
De beijos loucos
E sorrateiros.

Pois somos,
Por toda vida,
Mútuos de sentimento,
Unos de alegria e respeito.


Obs: Obra de Matisse.

Dedico à minha doce Jana.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bravura de Manuel



A obra de Manuel Álvarez Bravo
Deslumbra-me
Sem que lhe conheça bem,
Sem que saiba tudo a seu respeito.

Tal o peito aberto
Com que se defronta com a vida.

Sem travas no olhar,
Sem medo da cruel amarra
Das circunstâncias.

Cada foto desponta
Com lúcido vigor.
Além de prolongar sempre
O que há de duradouro
No efêmero.

Para tão belo trabalho,
A vida não possui desterro.

Até mesmo,
O que se apresenta
Como “inanimado”
É, na verdade,
Pleno de vitalidade.

Sabe assim que o devaneio
Vem porque nada era capaz de impedi-lo.
Vem sim porque era extremamente necessário.

Assim como, qualquer acidente da existência
Não é mero acidente:
Há drama ali.
Há, ali, as tramas do destino.

Pois jamais lhe falta esmero no sutil flagra,
Nem tampouco lhe falta alegria no singelo lirismo.

Será que já vi alguma vez Sol que traga mais promessa
De inaudito?
Ou dito de outra forma:
Será possível distinguir na sua luz
O que é temporal ou atemporal?

Pois não posso me assombrar
Com seus clarões eternos sem as devidas sombras
Já não mais mutáveis...

O que, sem dúvida, me oxigena a alma,
O que, sem dúvida, me traz algo de paradoxal,

Como se cada foto fosse a descoberta
De meu destino –
Uma ponderação do imponderável.

Que apenas a pausa da alma,
Que apenas o fim temporário
Da vertigem
Consegue, com efeito,
Recuperar de doce enlevo,

Desde que haja
No mundo
O bravo mundo de Manuel,
Que sempre há, de algum modo, em todos nós...




Obs: Obras de Manuel Álvarez Bravo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tuas palavras




Tuas palavras
São sempre
Doce alento

Leveza
É o que sinto
A cada momento
Contigo

Sem vento
Em que não haja
Teu perfume

Sem enlevo
Em que não haja
Teu sorriso

Sem deixar de ver
O que sempre vejo:
Teu amor

Sem sequer um momento
Sem um realejo
De pensamentos de bem querer


Obs: Obra de Braque.

Dedico à minha doce Jana.